SÃO PAULO - A Embratel prepara ação contra a compra da BrT pela Oi, afirma O Estado de S. Paulo.
Reportagem do jornal diz que a Embratel já enviou documentos à Secretaria de Direito Econômico (SDE), órgão do ministério da Justiça, pedindo detalhes sobre a operação de fusão. O objetivo seria obter informações para fundamentar melhor um pedido de proibição da compra.
O grupo controlado pela Telmex deve ser o mais afetado pela criação da super tele, pois teria um concorrente muito forte e com várias sinergias atuando em quase todo o território brasileiro. Além da telefonia fixa, as teles vão competir por contratos de transmissão de dados para clientes corporativos.
Outra grande empresa do setor, a Telefônica, seria menos impactada, pois atua somente no Estado de São Paulo, região onde nem a Oi, nem a BrT, têm posição de destaque. Oficialmente, no entanto, a Embratel não comenta o assunto.
Quando estiverem juntas, Brasil Telecom e Oi terão 22 milhões de assinantes de linhas fixas (14,20 milhões da Oi e 7,83 da BrT). O número é muito superior aos 11,9 milhões de assinantes que a Telefônica tem em São Paulo e também muito maior que os 2,23 milhões de clientes da Embratel/Net.
A soma de Oi e Brasil Telecom no segmento de telefonia móvel vai criar a quarta maior operadora do país, com 24,61 milhões de usuários, abaixo da líder do setor Vivo (39,76 milhões), TIM (33,42 milhões) e Claro (32,31 milhões).
A nova super tele será controlada pelos grupos de capital nacional Andrade Gutierrez e La Fonte, que juntos vão deter quase 40% do capital da nova tele. Instituições públicas, como o BNDES e os fundos de pensão Previ, Petros e Funcef terão participação acionária na nova tele.
Desde que a Polícia Federal realizou a operação Satiagraha, aumentaram as pressões pela não aprovação da fusão. Afinal, o sócio da BrT e ex-controlador da tele, Daniel Dantas, é acusado pelo Ministério Público e Polícia Federal de diversos crimes, entre eles envio ilegal de dinheiro para o exterior, espionagem e corrupção ativa.
A decisão sobre permitir ou não a fusão caberá à Anatel, agência que regula o setor. No governo Federal, há simpatia pela fusão, pois ela criaria uma grande tele de capital nacional e resolveria o longo conflito acionário vivido pela Brasil Telecom nos últimos anos.