NOVA YORK - A Motorola pode levar até três anos para recuperar sua lucratividade.
Independentemente da saída ou não do presidente-executivo da Motorola, Ed Zander, os investidores precisam se preparar para um longo caminho, já que analistas entendem que pode levar dois ou até três anos para que a fabricante de aparelhos celulares se recupere.
A Motorola, com sede nos Estados Unidos, alertou nesta semana que a sua divisão de aparelhos celulares não terá lucro em 2007, com uma fraca venda de telefones na Ásia e na Europa, o que deve relegar a empresa ao terceiro lugar no mercado global, após anos na vice-liderança.
A notícia gerou especulações de que Zander pode ser em breve forçado a deixar o comando da Motorola, o que deixaria um novo presidente-executivo com uma longa lista de afazeres para revitalizar a marca.
A Motorola precisa de novos aparelhos de sucesso para substituir a série Razr, rever a estrutura de custos e estimular melhorias em mercados cruciais, afirmam analistas.
Mesmo em seu mercado doméstico, a empresa tem de reconstruir os relacionamentos com operadoras móveis nos EUA --um ramo que a Motorola dominou historicamente, mas no qual tem ido mal junto a clientes como AT&T, segundo especialistas.
"Minha maior preocupação com a Motorola é a fatia de mercado recuando nos EUA", disse o analista Michael Walkley, da Piper Jaffray.
A coreana Samsung Electronics vendeu 37,4 milhões de aparelhos celulares no segundo trimestre, roubando o segundo lugar na indústria da Motorola, que estimou os embarques de telefones móveis entre 35 milhões e 36 milhões de unidades no período. A finlandesa Nokia é líder da indústria.
No segundo semestre a Motorola também pode ser afetada pela nova competidora Apple, que lançou o iPhone junto com a AT&T em 29 de junho. As operadoras móveis norte-americanas Sprint e Verizon parecem estar impulsionando os aparelhos Samsung e LG como competidores do iPhone, e a Motorola não tem nenhum produto desse tipo para oferecer.
"A Motorola precisa de uma avaliação diferente ao seu portfólio de produtos", disse o analista Mark McKechnie, da American Technology Research. Ele afirmou que viu muitos altos e baixos na Motorola desde que trabalhou lá, no fim dos anos 1980.
"Eu acho que eles ficam um pouco otimistas com um produto de sucesso e colocam todo o esforço nisso. Não necessariamente eles olham para o futuro", afirmou.
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