LISBOA (Reuters) - A Energias de Portugal (EDP) terá participação direta de 16 por cento na companhia de telecomunicações Sonaecom, formando uma aliança à medida que a Sonaecom tenta comprar a rival Portugal Telecom (PT) .
A operação significa que a EDP, maior empresa listada em bolsa de Portugal, trocará seus atuais 25,7 por cento da unidade móvel da Sonaecom, Optimus, diretamente pela Sonaecom.
A transação ocorre algumas semanas antes de autoridades de competição decidirem sobre a proposta de 11,1 bilhões de euros da Sonaecom pela concorrente de porte bem maior Portugal Telecom.
O presidente-executivo da EDP, Antonio Mexia, disse que sua empresa não tem uma posição sobre a aquisição.
"A EDP não tem, nem terá, qualquer posição sobre a aquisição", disse Mexia à Reuters, acrescentando que o setor de telecomunicações não está na lista de negócios principais da empresa de energia.
A Sonaecom já disse que estuda vender a participação da Portugal Telecom na Vivo, caso consiga comprar a empresa portuguesa, que divide o controle da maior operadora de telefonia celular do Brasil com a Telefónica .
A EDP está atualmente tentando vender sua unidade de telecomunicações ONI, que tem registrado prejuízos.
A EDP se tornará a terceira maior acionista da Sonaecom através do acordo. A Sonaecom é 62 por cento detida pelo conglomerado Sonae, enquanto a France Telecom possui participação de 23,7 por cento na companhia.
Portugal é o maior acionista individual da EDP, com fatia de 25 por cento. O governo socialista, que tem uma "golden share" (poder de veto) na Portugal Telecom, até agora não assumiu posição na proposta da Sonaecom pela Portugal Telecom. O primeiro ministro Jose Socrates disse, entretanto, que preferiria que a Portugal Telecom permanecesse em mãos portuguesas.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, um grupo de empresas de private equity considera a proposta pela Portugal Telecom para competir com a da Sonaecom.