SÃO PAULO - Numa revolução em sua estratégia de venda direta de mais de 20 anos, a Dell passou a vender em lojas físicas.
O diretor-geral da Dell Brasil, Raymundo Peixoto, disse à Reuters que no futuro, sem definir datas, a empresa terá uma estratégia consistente na busca do consumidor final no país.
"Vai chegar um momento em que o mercado da Dell do Brasil estará maduro suficiente em pequenas, médias, grandes empresas, e já não terá onde crescer aí", afirmou na quarta-feira à noite. "Não temos pressa, mas temos agilidade. A gente está olhando isso o tempo inteiro, só precisa saber qual é o momento certo. Agora não é o momento, o foco é pequenas e médias empresas", disse.
Perto de 90 por cento da receita da Dell no Brasil vêm do mercado corporativo, sendo que o segmento de pequenas e médias é o que mais cresce, segundo o executivo. Para aproveitar melhor esse mercado, a Dell migrou a produção de Eldorado do Sul (RS) para Hortolândia (SP).
Os ganhos de logística pela proximidade dos clientes corporativos e dos fornecedores serão repassados aos produtos, resultando em maior competitividade, segundo Peixoto. "Não investimos numa nova planta para crescer igual ao mercado", comentou o executivo, sem divulgar metas operacionais.
"Você tem eficiência tremenda por estar mais próximo do cliente. Se olhar os movimentos que foram feitos a nível mundial, todos foram feitos nessa direção --as fábricas da Índia, da Polônia-- de estar perto dos mercados que estão crescendo", disse.
E o mercado brasileiro é uma aposta forte da Dell. Em 2006, as vendas de computadores no país aumentaram 46 por cento, para mais de 8 milhões de unidades. Este ano, de acordo com a Abinee, que representa as indústrias do setor, o mercado deve crescer 20 por cento.
O presidente da Positivo Informática, Hélio Rotenberg, líder de mercado, aposta em taxa mais elevada, de 35,5 por cento até 2010, afirmou recentemente à Reuters. A Dell é líder na venda de PCs ao mercado corporativo e de servidores.
"A gente está apostando que o mercado brasileiro vai crescer e vai ser significativo a nível mundial nos próximos sete, dez anos", declarou Peixoto. "E eu tenho que me preparar agora, não posso esperar que a coisa aconteça. Então, toda e qualquer eficiência que eu puder colocar para atender o meu cliente, tenho que fazer já."
EXPORTAÇÕES
A nova fábrica de Hortolândia, interior de São Paulo, será também um pólo exportador para a América Latina --Argentina, Chile, Colômbia, Venezuela-- e para a África do Sul. A unidade brasileira da Dell substituiu a da Irlanda como fornecedora para o mercado sul-africano há dois anos.
Apesar do real sobrevalorizado, a Dell não está na fila das empresas que cobram do governo uma taxa de câmbio mais favorável. Cobra, sim, uma legislação mais flexível, que possa atrair a cadeia de fornecedores.
"Tenho que ter custo competitivo, tem que ser entregue com qualidade mundial e no menor prazo possível", afirmou Peixoto sobre as exportações, afirmando que o custo da mão-de-obra continua razoavelmente competitivo mesmo com o efeito dólar. "Ficou um pouco mais cara, mas o efeito é pequeno."
Neste ano, o dólar registra queda de cerca de 10 por cento frente ao real, mas como até 70 por cento das partes e componentes dos computadores são importados, o impacto do câmbio acaba sendo reduzido.
Para a Dell, os maiores obstáculos para o setor são amarras da legislação, como obrigatoriedade de investimentos em pesquisa e desenvolvimento em diversas regiões do país e do uso de peças produzidas no país.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">Dell Brasil aposta em SMB para crescer</a>, Reuters - SÃO PAULO - Numa revolução em sua estratégia de venda direta de mais de 20 anos, a Dell passou a vender em lojas físicas.
[...]</p>