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SCO agora quer processar usuários do Linux

Quinta-feira, 15 de maio de 2003 - 11h55

SÃO PAULO - Nos últimos meses, a SCO (ex-Caldera) vem tomando uma série de medidas desesperadas para retomar o pé de seus negócios. Primeiro, processou a IBM por causa do Unix. Agora, ameaça seus próprios usuários.

Na última segunda-feira, a empresa mandou uma comunicação a cerca de 1 500 usuários Linux espalhados pelo mundo, alertando-os que eles podem "responder legalmente" pelo uso do código da SCO. O Vnunet.com citou um trecho da carta, assinada pelo CEO Darl McBride: "A responsabilidade legal (pelo uso do código) pode ser levantada... e pode chegar também aos usuários finais". É a proibição do uso do que foi chamado até agora como "código livre".

A SCO também decidiu suspender as vendas de sua versão do Linux enquanto as pendências sobre a propriedade intelectual do sistema operacional não forem resolvidas - ou "até que os presentes riscos sejam melhor entendidos", como ela justificou.

Segundo a companhia, é dela e apenas dela a propriedade intelectual contida hoje em todas as distribuições existentes comercialmente do Linux, incluindo o kernel. Os revendedores, os usuários e os analistas de mercado estão chocados com as atitudes da SCO, diz o Vnunet, e todos estão em estado de alerta, pensando que podem ser os próximos atingidos pela fúria. "As ações da SCO destruíram seu prestígio nas comunidades Linux e Unix", acusa Dan Kusnetsky, do IDC. "São atos de desespero de uma empresa cuja receita não satisfaz seus acionistas, e está correndo atrás de dinheiro - dinheiro de qualquer procedência", acredita.

O vice-presidente sênior da Unilever, Martin Armitage, foi além: "Eles simplesmente serão excomungados da comunidade do código aberto". A Red Hat, concorrente da SCO, disse que, segundo seus advogados, a empresa "não tem nenhum caso legítimo nas mãos". E Gary Barnett, da consultoria Ovum, deu um tiro certeiro: "Acho que eles estão querendo é ser comprados".

Resta saber quem vai querer correr o risco de comprar uma empresa que agora está totalmente desacreditada no mercado.

Renata Mesquita, do Plantão INFO

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