SÃO PAULO - Na portaria do prédio está a marca da cultura de corte de gastos da Claro.
As duas portarias foram reduzidas a uma, reformada sem ostentação, com economia de 100 mil reais ao ano, quase uma ninharia numa empresa que teve receita superior a 8 bilhões de reais em 2006.
"Acima de tudo, é uma postura de não gastar", afirmou Cox à Reuters, numa sala de reuniões ampla mas simples, herdada da antiga BCP, empresa de celular criada pela norte-americana Bell South e comprada pelo grupo mexicano que controla a Claro em 2003.
"A cultura de controle de custos que vem da América Móvil é incrível", observou. Qualquer despesa acima de 100 mil reais passa pela caneta dele.
Desde que assumiu o comando da companhia há nove meses, Cox tem dito que cortar custos é tarefa diária. Desafio interessante num cenário em que a empresa busca crescer e tornar-se líder de mercado.
A Claro tinha em março 24,6 milhões dos 102 milhões de celulares ativados no Brasil, mas comemora ser a que vem captando maior parcela de clientes novos e reduzindo a diferença para Vivo e TIM, primeira e segunda colocadas.
"O objetivo, ao final de 12 meses, é continuar tendo participação maior das adições líquidas", comentou o executivo, admitindo que em um mês ou outro a Claro possa não alcançar essa meta devido a atuação pontualmente mais agressiva de alguma concorrente. Ele acredita que a base de celulares em todo o Brasil crescerá entre 12 e 13 por cento este ano.
CHOQUE CULTURAL
A fórmula de crescimento com controle rigoroso de gastos resultou na melhor margem operacional já registrada pela companhia, de 27,4 por cento no primeiro trimestre. Isso coloca a administração de Cox a caminho da meta de 20 por cento definida pela controladora mexicana para a unidade brasileira neste ano.
O diretor financeiro, Eduardo Lubisco, explicou que, mantendo os custos no mesmo nível --como aconteceu entre 2005 e 2006--, a receita decorrente do número maior de clientes vai direto para o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações), uma medida de geração de caixa.
Numa apresentação que prepara para analistas de mercado, o presidente da Claro vai mostrar dados de reduções de despesas gerais e administrativas, além de custos menores na aquisição de clientes, o chamado SAC.
As despesas com marketing, incluindo patrocínios de shows, por exemplo, estão entre as que passaram por reavaliação. De 2005 para 2006, esses gastos caíram em termos absolutos. Este ano serão maiores em valor, mas menores em percentual da receita em função do crescimento da base de clientes.
Também houve redução no pessoal atuando em áreas de apoio à atividade principal, de 3.439 para 3.054 em nove meses. Por outro lado, segundo Cox, houve expansão na equipe comercial, de 2.455 para 2.620 empregados. Nas centrais de atendimento, cresceu mais o grupo de terceirizados do que o de funcionários.
"A gente atacou tudo ao mesmo tempo", afirmou o executivo, elencando mudanças de processos nas áreas de logística, engenharia de sites e comercialização de produtos. "A Claro não estava no mesmo estágio das outras empresas do grupo América Móvil no controle de gastos", constatou.
"Às vezes temos que ir a extremos para criar um choque cultural", admitiu. O choque pode incluir até escrutínio dos gastos da presidência da empresa, como relatou Cox.
Na reunião de diretoria da próxima semana, o resultado do trimestre será repassado "linha por linha", segundo o presidente. "Inclusive minhas despesas", afirmou. "Com dados mais transparentes, aumenta a vigília sobre os custos", prosseguiu Cox. A economia aparece até na conta de combustível do veículo da presidência, assegurou.
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