CIDADE DO MÉXICO - A aquisição da Telecom Italia pela Telefónica, desafia o bilionário Carlos Slim em seu próprio quintal.
O acordo passa as operações da TIM Brasil à Telefónica, fortalecendo o grupo espanhol no principal país da América do Sul. A América Móvil, de Slim, tem competido acirradamente com a Telefónica para se tornar a principal companhia de telefonia celular da América Latina.
Essa é uma corrida que Slim, dono da segunda maior fortuna do mundo, tem vencido com os 131 milhões de assinantes da América Móvil, com uma ampla maioria na América Latina.
Mas, a não ser que eleve sua proposta pela Telecom Italia, ele terá uma batalha difícil no Brasil.
"Ele perdeu o mercado mais importante da América Latina", disse o analista do HSBC Raul Ochoa. "A jóia da coroa é a TIM Brasil e ela disponível para venda. Isto é muito ruim para a América Móvil."
As ações da América Móvil, maior companhia da bolsa de valores mexicana, caíram mais de 2 por cento durante a manhã.
"Vai ficar impossível para Slim tirar a diferença (da Telefónica no Brasil)", afirmou Manuel Jimenez, analista da Vector Brokerage, na Cidade do México.
A Telefónica e um grupo de bancos italianos pagaram 4,1 bilhões de euros para comprar a parcela majoritária da Pirelli na Telecom Italia, em um acordo que assegura o controle majoritário aos bancos, mantendo o grupo telefônico em mãos italianas.
A aquisição, que dá à holding o valor de 6,8 bilhões de dólares incluindo dívidas, frustrou uma proposta da América Móvil .
DIFÍCIL NA EUROPA
Slim está interessado na Telecom Italia mais pelos ativos no Brasil do que pelas operações italianas, disseram analistas.
Ele tentou comprar a unidade brasileira no ano passado, mas fracassou. Slim também abandonou os planos de uma licença para operações de telefonia celular na Espanha em 2005 por causa da competição dura.
Analistas dizem que Slim tem perdido para a Telefónica nos últimos tempos mais por questões políticas do que por dinheiro.
"O governo italiano não quer uma companhia não-européia no comando da Telecom Italia, ele prefere uma empresa da Europa", disse Ochoa. "Esse foi um fator decisivo no final".
Para Jimenez, "Slim perdeu por causa da postura do governo. Mesmo se ele tivesse tentado uma parceria com italianos, o governo havia dito abertamente que queria um consórcio europeu".
Resta pouco o que adquirir no setor de telefonia celular na América Latina, e analistas prevêem que Slim vai consolidar suas operações na região antes de começar a buscar companhias em outros continentes.
"A América Móvil tem comprado alguns ativos pequenos e eu acho que ela vai continuar assim nos próximos meses", avaliou Ochoa.
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