MÉXICO - A América Móvil busca parceiros, em particular italianos, para fazer comprar a Telecom Italia.
A América Móvil atua no Brasil através da Claro, terceira maior operadora de celulares do país. A América Móvil pertence ao magnata mexicano Carlos Slim.
A Pirelli, dona da maior operadora italiana de telecomunicações, já alertou que não venderá a empresa por menos de 2,82 euros por ação --valor que havia sido oferecido pela América Móvil em parceria com a AT&T, que acabou desistindo do negócio.
"Estamos buscando alternativas para ver qual é a melhor maneira de entrar e se associar com outras pessoas, outras empresas na Itália", disse o presidente-executivo da América Móvil, Daniel Hajj, em teleconferência com analistas.
O comentário da companhia mexicana é uma reação à postura do governo italiano, que afirmou preferir que a Telecom Italia permaneça sob controle nacional.
A América Móvil e a AT&T chegaram a entrar em negociações exclusivas com a Pirelli, para comprar 60 por cento da Olimpia, que controla a Telecom Italia. A oferta era de 4,5 bilhões de euros.
A companhia mexicana continua interessada no negócio, mas bancos e outras empresas italianas, incluindo o magnata da mídia e ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, tentam encontrar uma solução para manter a Telecom Italia em mãos locais.
Hajj explicou que a compra da Telecom Italia faz sentido na estratégia da América Móvil de buscar conhecimento e sinergias. Ele não acredita que haja um acordo antes de segunda-feira, quando expira o prazo das negociações exclusivas. Hajj disse que não pretende ampliar esse prazo.
BRASIL NA MIRA
Analistas dizem que o interesse dos mexicanos nos ativos da Telecom Italia não é propriamente por causa do mercado italiano, mas no Brasil. No ano passado, a América Móvil tentou comparar a TIM Brasil .
Unir a Claro com a TIM transformaria o grupo mexicano no líder do mercado celular no Brasil, desbancando a Vivo, controlada pela Telefónica e a Portugal Telecom . Hajj insistiu, no entanto, que o interesse é em toda a Telecom Italia, não apenas no Brasil.
"Claro e TIM vão concorrer no mercado como concorrem hoje. Quero esclarecer que a transação com a Pirelli não implica em nenhuma concessão para adquirir a TIM Brasil. Não conversamos sobre isso quando estamos em negociações com a Pirelli", disse Hajj.
A Claro divulgou nesta tarde os resultados do primeiro trimestre, comemorando geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 590 milhões de reais, crescimento de 147 por cento sobre o mesmo período de 2006. A margem Ebitda foi de 27,4 por cento, a melhor da história da empresa.
A operadora tinha 24,6 milhões de clientes no final de março, crescimento de 26,5 por cento em 12 meses. A Claro detém 24,1 por cento do mercado brasileiro de 102 milhões de celulares ativados, e considera que "mantém o ritmo rumo à liderança". Há um ano a fatia era de 21,7 por cento do mercado.
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