SÃO PAULO - As perspectivas de mudança nas companhias telecom têm dado novo fôlego às ações das empresas nas últimas semanas.
De acordo com dados da consultoria Economática, o Itel --indicador da Bolsa de Valores de São Paulo que reúne as ações das maiores empresas de telecomunicações no país-- registrou uma valorização neste ano de 6,7 por cento até 11 de abril. No mesmo intervalo, o principal índice da bolsa, o Ibovespa, acumulou alta de 5,5 por cento.
Até o final de março deste ano, o Itel apresentava queda de 4,5 por cento, enquanto o Ibovespa registrava avanço de 3,3 por cento em relação ao final do ano passado. A virada se deu nos últimos dias.
Só nesta semana, alguns papéis chegaram a ter alta de mais de 10 por cento, como as preferenciais da Telemar Norte Leste . Outras empresas, como Brasil Telecom, Vivo e TIM também registraram desempenho bem além do Ibovespa neste mês.
Segundo o analista de telecomunicações Felipe Cunha, da corretora Brascan, o mercado entende que está havendo uma "sinalização positiva no setor", tanto da parte das empresas, que estariam "arrumando a casa", com reestruturações que possibilitem futuros negócios, quanto da parte do governo, com indicações de que pretende alterar a regulamentação do setor.
"O mercado enxerga que as perspectivas de consolidação do setor estão de fato avançando agora, que o governo está interessado em apoiar grandes negócios que beneficiem os usuários de telefonia", acredita Cunha.
Recentemente, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, manifestou simpatia pela constituição de uma forte empresa nacional que faça frente às duas empresas que disputam o mercado brasileiro e latino-americano --a espanhola Telefónica e a mexicana Telmex/América Móvil.
Para isso, é necessário mudar as regras do setor criadas para a privatização da Telebrás, em 1998. A legislação que vigora desde aquela época estabelece que as grandes operadoras de telefonia fixa não poderiam se fundir.
Fontes ligadas a algumas dessas empresas afirmaram esta semana à Reuters que enxergam um momento no governo favorável às alterações regulatórias desejadas pelo setor.
Esse movimento adequaria a realidade brasileira aos avanços tecnológicos que permitem hoje a oferta de serviços convergentes por uma só empresa. Mas essa oferta demanda pesados investimentos e, por isso, tem motivado consolidações em todo o mundo.
O processo de atualização das regras no Brasil pode, no entanto, se arrastar se o Executivo decidir conduzir as mudanças via Congresso, avaliam as fontes.
GOVERNANÇA
Embora os dados segmentados por classe de ação reforcem a perspectiva de consolidação do setor --os papéis das empresas de telefonia que mais valorizaram em 2006 e no início deste ano são aqueles com direito a voto--, analistas são cautelosos sobre o desempenho nos próximos dias. Lembram que as alterações efetivas ainda não foram feitas na regulamentação.
"É difícil arriscar previsões neste setor, mas o mercado está acreditando nas perspectivas, elas são factíveis", acredita Luciana Leocadio, analista de telecomunicações da Ativa Corretora.
"As ações devem continuar com desempenho bom aliado ao noticiário corporativo", acredita Júnior Hydalgo, diretor da Trust Investimentos.
O mercado também vê com bons olhos as mudanças na área de governança corporativa planejadas e empreendidas pelas companhias, observou o analista de investimentos Max Bueno, da Spinelli Corretora.
"Isso demonstra que a empresa está buscando se aproximar do mercado, buscando uma valorização", disse Bueno.
Segundo ele, o grupo Oi --antiga Telemar-- deu um passo nesta semana, anunciando o plano de uma oferta de aquisição das ações preferenciais de duas de suas controladas, a Tele Norte Leste e a Telemar Norte Leste . A operação pode movimentar cerca de 11 bilhões de reais.
"Existem movimentos iminentes de reestruturação para todas as empresas do setor", acrescentou Bueno, citando as operadoras móveis Vivo e TIM.
Para ele, a discussão sobre a consolidação do setor é antiga, mas "a nova realidade do setor de teles no mundo imprime uma urgência na alteração da regulamentação".
"O marco regulatório está obsoleto, isso restringe a área de atuação das empresas", defendeu.
Para o analista Cunha, da corretora Brascan, o mercado olha o setor de telefonia sob três óticas: consolidação, governança e distribuição de dividendos.
"As empresas são boas geradoras de caixa, mas (como realizam muitos investimentos) têm problemas na distribuição de dividendos", comentou ele, que não vê perspectiva de melhora nesse ponto, mas enxerga avanços significativos nos dois primeiros.
<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">Teles voltam a atrair investidores</a>, Reuters - SÃO PAULO - As perspectivas de mudança nas companhias telecom têm dado novo fôlego às ações das empresas nas últimas semanas.
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