Um caminho para passar do nível técnico à gerência de TI.
O administrador de empresas Fabio Morimoto, 30 anos, vivia uma trajetória de carreira típica de um profissional de TI. Iniciou no help desk, passou pelo suporte e atingiu a maturidade técnica da profissão. Ao ver que não poderia mais crescer como um técnico, Morimoto, hoje analista de processos da operadora Vivo, optou pela especialização em governança de TI. "O mercado para área técnica estava saturado. Foi quando resolvi mudar o foco da minha carreira", afirma.
O primeiro passo foi conseguir uma certificação em ITIL Foundation (o nível básico de certificação em ITIL), que ampliou sua visão operacional do ambiente de TI. Mas Morimoto conta que apenas o ITIL deixava-o com uma experiência limitada na área de gestão, problema que foi resolvido com o Cobit. “Pude aliar meus conhecimentos técnicos com os processos e controles de TI”, diz Morimoto. Ambas as certificações foram pagas por ele, que atuou por três anos como consultor independente antes de ir para a Vivo.
O Cobit, sigla para Control Objectives for Information and Related Technology, surgiu em 1996, mas só ganhou uma certificação — a Cobit Foundation — há cerca de três anos. Atualmente, esse guia de melhores práticas de auditoria e governança de TI — ou framework — está na versão 4.1. Ele possui 34 processos básicos, dos quais 80% suportam a lei americana Sarbanes-Oxley (Sox) de 2002, que criou mecanismos de auditoria e segurança para as empresas. O Cobit já nasceu como o framework com maior demanda de profissionais em bancos e empresas de meio de pagamentos, onde a TI é crítica por cuidar de informações confidenciais dos clientes. Além disso, companhias com ações na bolsa americana são obrigadas a cumprir o que estabelece a Sox.
TRABALHO EM EQUIPE
O gerente sênior Fábio Braz comanda cerca de 500 funcionários na área de infra-estrutura e operações da empresa de call center Contax. Formado em engenharia eletrônica, Braz fez parte da primeira turma de pós-graduação em governança de TI do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e tem a certificação em ITIL. A Cobit Foundation surgiu em 2006, antes de ele conseguir a vaga na Contax. “Ao buscar essas certificações, dá para avaliar se as práticas estão de acordo com o que está sendo feito em empresas do mundo todo”, afirma Braz.
Ele lembra que o Cobit é muito eficiente para eliminar vícios de gestão da TI. No entanto, por indicar onde e como a empresa está pisando na bola, a implementação deve ser feita de forma gradual para não assustar a área de negócios. “Mas é impossível implementar 100% do Cobit”, diz. Braz conta que já treinou outros 12 gerentes da Contax que farão a prova.
OPÇÃO PARA OS NOVATOS
Para quem acaba de sair da faculdade, a certificação em Cobit é um bom diferencial no currículo. O primeiro contato de Daniel Pacheco, 24 anos, com o Cobit foi na faculdade de engenharia da computação da Universidade Federal de Itajubá, em Minas Gerais. O interesse aumentou quando ele fez um intercâmbio com a Universidade de Dresden, na Alemanha. Na volta, recém-formado, foi contratado como auditor de sistemas da informação da consultoria Ernst & Young. Pacheco tirou a certificação do Cobit Foundation no final do mês de outubro.
Segundo ele, a certificação é um critério conceituado no mercado, que permite aplicar a mesma rigorosidade em diferentes países. “O certificado é um diferencial que o profissional terá em outras oportunidades que surgirem”, afirma. De acordo com o auditor, a Ernst & Young dá incentivos em forma de cursos no programa de universidade corporativa, além de benefícios atrelados ao desempenho do profissional, como reembolso de treinamentos e certificações. Após conseguir o certificado em Cobit, Pacheco irá ainda este ano tentar a certificação CISA (Certified Information Systems Auditor), que tem como foco os profissionais da área de auditoria.
COMO CHEGAR LÁ
O órgão oficial que representa o Cobit é a Isaca (Information Systems Audit and Control Association), responsável por atualizar as versões e emitir os certificados pelo mundo. Apesar de a Isaca não divulgar um número oficial de profissionais com a certificação em Cobit, mais de mil pessoas já passaram nas provas realizadas pelas consultorias certificadas. No Brasil, são as empresas IT Partners, Big Five Consulting e World Pass que oferecem o curso e o teste.
“Tem empresas que ainda estão aprendendo a adotar o Cobit, mas em três anos será requisito básico para a área de auditoria de TI”, afirma Agnaldo Aragon Fernandes, sócio-fundador da Aragon Consultores Associados e autor do livro Implantando a Governança de TI — da Estratégia à Gestão dos Processos e Serviços. Diferentemente do que acontece com outras certificações, não há uma estimativa corrente no mercado de remuneração para profissionais certificados em Cobit. Mas, para um consultor independente, por exemplo, é um retorno garantido. “Um profissional consegue passar de 80 para 100 ou 120 reais por hora de trabalho”, afirma.
Apesar de todo o material do Cobit estar disponível na internet, o investimento num curso preparatório (veja tabela) é importante para quem não está em dia com o inglês, já que o material e a prova são nessa língua. Os cursos também apresentam projetos realizados em outras companhias, além de permitir a troca de figurinhas com profissionais de TI de outras empresas.
Segundo André Pitkowski, diretor da Isaca, a procura dos cursos também vem aumentando por parte das corporações que realizam treinamentos internos. Pitkowski, que coordenou a adoção de normas de TI no Grupo Pão de Açúcar, afirma que subsidiar cursos é uma boa estratégia para empresas que querem promover profissionais com muito conhecimento técnico, mas que ficam devendo na visão de gerenciamento. “O Brasil é o segundo país do mundo em número de profissionais certificados em Cobit”, afirma Pitkowski. Segundo ele, já existem grandes projetos no Brasil, como o da Visanet, que certificou 80 profissionais da sua equipe de TI. O consultor conta que a Isaca acaba de escolher o país para traduzir a prova do Cobit para o português. Alguns cursos de pós-graduação e MBA com foco em gestão de TI, como os do IPT, FIAP, Mauá e FGV, já incluem o Cobit.
O PAI DE TODOS
Os profissionais de governança de TI estão ansiosos para a estréia de um novo framework: o CGEIT (Certified in the Governance of Enterprise I). Ele une o que há de melhor na sopa de letrinhas das certificações da governança, em especial do ITIL, do CISA e o CISM, esta voltada para a área de segurança. A primeira prova está prevista para dezembro de 2008. O CGEIT tem foco em níveis gerenciais e exige cinco anos de experiência do profissional, com pelo menos um ano dedicado a um outro framework de governança de TI.

<p><a href="" rel="bookmark" title="INFO Online">A força do Cobit</a>, Bruno Ferrari, na INFO de novembro de 2007 - Um caminho para passar do nível técnico à gerência de TI.
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