SÃO PAULO - A CPI dos Bingos aprovou ontem a convocação da vice-presidente de TI da Caixa Econômica Federal (CEF), Clarice Copetti.
O depoimento de Clarice foi marcado para a próxima terça-feira e os senadores querem interrogar Clarice sobre como o sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa foi violado.
Francenildo foi caseiro de uma mansão em Brasília onde ex-assessores do ministro Antonio Palocci se reuniam supostamente para fazer lobby.
Palocci negou em depoimento à CPI freqüentar tal casa, mas foi desmentido por Francenildo, que afirmou ter visto o ministro visitar a mansão.
No sábado (18) vazou a informação de que Francenildo havia recebido um depósito de mais de R$ 20 mil em sua conta na CEF poucos dias antes de fazer a denúncia contra Palocci.
Francenildo explicou que o depósito foi feito por seu pai biológico, um empresário do Piauí, que não assume a paternidade do caseiro publicamente por motivos familiares.
O caso ganhou grande repercussão por que a oposição acusa a CEF de quebrar o sigilo de Francenildo a pedido do governo, com a intenção de desmoralizar a versão do caseiro. O governo nega participação no caso.
O presidente da Caixa, Jorge Mattoso, admitiu que a violação do extrato bancário pode ter ocorrido dentro da própria instituição.
A Caixa instaurou sindicância interna para apurar o caso e pediu 15 dias para apresentar o resultado da investigação à CPI.
Parlamentares oposicionistas criticam o prazo de 15 dias, que consideram longo demais. A oposição teme que o tempo seja usado para que se crie uma versão falsa sobre o verdadeiro autor da quebra de sigilo.
Embora aprovada, a convocação de Clarice Copetti pode ser suspensa na Justiça. O senador do PT do Acre, Tião Viana, já afirmou que pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra convocações que não tenham relação com o foco da CPI dos Bingos, instaurada para investigar os bingos e a lavagem de dinheiro.