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Telesp Celular tenta sanear Global Telecom

Terça-feira, 12 de março de 2002 - 10h02

SÃO PAULO (Reuters) - A Telesp Celular Participações, dona de uma das operadoras de telefonia celular do Estado de São Paulo, teve um prejuízo bilionário no ano passado. O resultado foi afetado principalmente pela compra da Global Telecom, que exigiu pesados investimentos em 2001.

Para completar o saneamento da unidade, que opera telefonia celular em Santa Catarina e no Paraná, a Telesp Celular anunciou um aumento de capital de 2,5 bilhões de dólares.

A operação e o resultado financeiro da companhia decepcionaram o mercado e fizeram com que as ações da Telesp Celular terminassem a segunda-feira em queda de 7,78 por cento, contribuindo para a baixa de 1,91 por cento do Índice Bovespa.

``O resultado da empresa veio pior que o esperado... isso já seria motivo (para queda das ações)´´, afirmou o diretor de renda variável do Lloyds TSB, Pedro Thomazoni. Segundo ele, o mercado teme, além disso, que o aumento de capital dilua a participação dos acionistas minoritários da empresa.

A diretora de Relações com Investidores da Telesp Celular Participações, Maria Paula Canais argumentou, no entanto, que os recursos do aumento de capital são necessários para os investimentos da companhia.

``Precisamos fazer um saneamento financeiro na Global´´, justificou ela, em uma entrevista a jornalistas nesta segunda-feira.

A Telesp Celular Participações teve um prejuízo de 1,1 bilhão de reais em 2001, em comparação a um lucro de 152 milhões de reais do ano anterior.

O resultado da holding, que tinha sido negativo em 549,8 milhões de reais até novembro, foi prejudicado ainda mais no último trimestre do ano com uma provisão adicional de 279 milhões de reais, referente a investimentos na Global Telecom.

Em uma reunião da Associação Brasileira dos Analistas do Mercado de Capitais (Abamec), o presidente da Telesp Celular Participações, Carlos Vasconcellos, disse que o prejuízo da empresa deveu-se a três fatores principais.

O principal deles foi uma perda de 654 milhões de reais relativa aos prejuízos que a holding teve na Global Telecom. Essa perda, que se reflete no balanço da Telesp Celular Participações por meio de equivalência patrimonial, refere-se à parcela de 83 por cento que a empresa detém na operadora do Paraná e Santa Catarina.

Em segundo lugar, a holding sofreu com os custos da dívida e de operações de proteção cambial (hedge), que trouxeram perdas de 541 milhões de reais. Por fim, houve ainda a provisão de 279 milhões referente a perdas de investimentos na Global Telecom.

Segundo Vasconcellos, todos esses fatores devem ser encarados como não-recorrentes.

Ao comprar a Global Telecom, em fevereiro do ano passado, a Telesp Celular assumiu dívidas de 656 milhões de dólares e uma operação com demanda maciça de investimentos. Nos nove primeiros meses do ano passado, a companhia havia registrado prejuízo de 549,8 milhões de reais.

Os recursos do aumento de capital, que ainda precisa ser aprovado em assembléia de acionistas no próximo dia 27, serão utilizados prioritariamente para liquidar a dívida em moeda estrangeira da Global Telecom, estimada em 2 bilhões de reais. O que restar será investido na operadora, que espera adicionar de 350 mil a 400 mil novos clientes este ano.

O investimento previsto para 2002 é substancialmente inferior ao 1,3 bilhão de reais destinado no ano passado para a Global Telecom e a Telesp Celular.

Este ano, as operadoras devem receber investimentos entre 800 e 900 milhões de reais. ``É uma redução significativa mas que vai nos garantir os níveis de crescimento a que nos propomos´´, disse Vasconcellos.

A Telesp Celular, que atua no Estado de São Paulo, planeja conquistar mais 800 mil a 900 mil clientes neste ano. A operadora encerrou o ano passado com 5,1 milhões de usuários e receita operacional líquida de 2,95 bilhões de reais, o que representou um aumento de 7 por cento sobre 2000.

AUMENTO DE CAPITAL

A Telesp Celular planejava um aumento de capital desde o ano passado, mas analistas presentes à reunião da Abamec se mostraram surpresos com a iniciativa da empresa de fazer uma equalização entre ações ordinárias e preferenciais.

A nova legislação societária incentiva as companhias de capital aberto a equilibrar a quantidade de ações ordinárias (com direito a voto) e preferenciais em circulação no mercado, estabelecendo que, em futuros aumentos de capital, as ações preferenciais sejam lançadas até o limite de 50 por cento do total dos papéis emitidos.

Historicamente, as empresas brasileiras têm até dois terços do capital em ações preferenciais.

A operação da Telesp Celular será dividida em duas fases, quase simultâneas. No primeiro momento, apenas os detentores de ações ordinárias poderão subscrever o aumento que pretende conseguir a equalização do capital. Por isso, os detentores de ações preferenciais terão sua posição diluída de 65,06 por cento para 50 por cento.

Com isso, a Portugal Telecom pode aumentar sua participação no capital da Telesp Celular, que é atualmente de 41,23 por cento, para uma parcela equivalente a 51,38 por cento do capital total da empresa.

Outros 2,2 milhões de acionistas estão habilitados a aderir ao aumento de capital com ações ordinárias. Eles são pessoas físicas e jurídicas que receberam, ainda na antiga Telesp estatal, ações em troca do autofinanciamento do telefone. A instituição depositária é o ABN Amro.

Na segunda etapa, todos os acionistas - de ações ordinárias ou preferenciais - terão direito à subscrição e apenas os que a fizerem conseguirão manter as respectivas participações no capital da Telesp Celular.

O preço e o desconto para a subscrição do aumento de capital serão definidos apenas em reunião do Conselho de Administração da empresa, prevista para 16 de abril.

O aumento de capital vai ser feito principalmente com recursos em dinheiro, perto de 2,4 bilhões de reais. Outros 96 milhões de reais são referentes à capitalização do benefício fiscal decorrente do ágio pago na privatização.

Por Renata de Freitas

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