BILBAO - A Portugal Telecom deve continuar a operar no Brasil, preferencialmente por meio da Vivo, mas se isso não for possível a empresa deve procurar outras alternativas no país, disse o presidente-executivo do segundo maior acionista da operadora portuguesa, Banco Espírito Santo .
Ricardo Salgado, CEO do BES, disse que não se pode excluir a hipótese da Portugal Telecom comprar os outros 50 por cento que a Telefónica tem na Vivo.
O BES detém participação de 7,77 por cento na Portugal Telecom.
O executivo lembrou que "a Telefónica já fez saber que quer controlar 100 por cento da Vivo e não perderá oportunidade de conseguir isso diante dos acionistas da Portugal Telecom".
Salgado reconheceu que "a forma como a Telefónica põe o problema é dura e que é complicado ter um acionista no conselho de administração (da Portugal Telecom) que diz que o melhor a fazer é vender esse ativo (Vivo)".
"A Portugal Telecom deve ficar no Brasil primeiramente com a Vivo, mas, se for impossível, deve procurar outras alternativas", afirmou o executivo.
"Pode ser que a Telefónica saia, pode ser que a Portugal Telecom saia. Esse é o problema que vai ter de ser resolvido, mas defendo que a Portugal Telecom fique no Brasil pois o país tem um potencial extraordinário", acrescentou o presidente-executivo do BES.
A Telefónica foi recentemente convidada a adquirir uma posição minoritária na Olimpia, holding com a qual a Pirelli controla 18 por cento da Telecom Italia .
Quando perguntado se Portugal Telecom poderia eventualmente comprar os 50 por cento da Telefónica na Vivo, Salgado afirmou: "É uma hipótese que não deve ser descartada. Todas as hipóteses estão na mesa."
"A Portugal Telecom é uma empresa sólida, tem um bom fluxo de caixa, um bom Ebitda que pode ser melhorado", lembrou.
Salgado afirmou que é preciso esperar para saber como votará a Telefónica na assembléia geral de acionistas para a desblindagem dos estatutos da Portugal Telecom. "Até onde sabemos, a Telefónica não é muito favorável à blindagem, mas a desblindagem é só para esta oferta pública da Sonae."
A Sonaecom lançou uma oferta pública de aquisição da Portugal Telecom propondo 9,5 euros por ação. A proposta foi rejeitada pela administração da companhia, órgão onde estão representados os principais acionistas da empresa, como a Telefónica, com 9,96 por cento.
Em 2 de março, a Portugal Telecom realizará a assembléia de acionistas para votar sobre o fim da blindagem dos estatutos da companhia, condição fundamental para o sucesso da oferta pública da Sonaecom.