SÃO PAULO - Vídeos e animações no celular agitam a procura por especialistas em Flash.
Dois anos atrás, o estudante de engenharia de software Luciano Ayres, de Recife, resolveu fazer um curso intensivo de Flash. A intenção era usar essa ferramenta na criação de animações para os sites que ele começava a desenvolver. Hoje, como um dos sócios da i2 Tecnologia, Ayres cria jogos e aplicativos para celulares — todos em Flash. Apesar de ter apenas um ano, o negócio vai muito bem: a i2 conquistou vários clientes fora do Brasil, entre eles a operadora americana Verizon Wireless.
O caso de Ayres é um dos exemplos das oportunidades para profissionais que apostaram na tecnologia Flash, criada pela Macromedia, que hoje pertence à Adobe. Só na área de dispositivos móveis, a demanda por aplicativos Flash tende a crescer rapidamente, estimulada pelos mais de 115 milhões de aparelhos habilitados a usar essa tecnologia em todo o mundo, segundo dados da própria Adobe, que vem apoiando o desenvolvimento de aplicações para esses aparelhos.
Mas que ninguém se iluda: não basta saber criar animações ou programinhas simples em Flash para conseguir um bom emprego. É preciso ir mais fundo e, de preferência, programar com ActionScript, a linguagem orientada a objetos do Flash. “Existem muitas vagas em aberto para quem conhece programação em ActionScript”, afirma Álvaro Venegas, diretor da ENG DTP & Multimídia, empresa de treinamento e de certificação credenciada pela Adobe.
O próprio site da ENG traz pelo menos 30 ofertas de estágio e de emprego em diversas empresas — principalmente agências de publicidade, produtoras de vídeo, jogos e portais na internet — que estão à procura de profissionais especializados em Flash e em ActionScript. Os salários, segundo Venegas, variam entre 3 000 e 5 000 reais por mês, para quem já tem experiência. Na Tribo Interactive, empresa de São Paulo que desenvolve sites, jogos e outros aplicativos, para atingir essa faixa salarial é preciso ter dois anos de experiência em programação com ActionScript.
FALTAM PROGRAMADORES
O conhecimento avançado da linguagem ActionScript é um dos requisitos obrigatórios para os candidatos a uma vaga de programador Flash na Tribo. “É um perfil profissional difícil de encontrar”, diz Denis Takahashi, gerente de tecnologia da empresa. Ele tem em sua equipe quatro programadores especializados em Flash. Quando a demanda aumenta, recorre aos free-lancers — alguns de fora do Brasil.
Luiz Segundo está há dois anos na Tribo, onde recebe salário mensal de 5 000 reais para desenvolver jogos e aplicações em Flash. Ele aprendeu sozinho a usar essa ferramenta em 1999. “Existe muita documentação disponível sobre o assunto, tanto em livros quanto na internet”, afirma. Foi com base nesse material que Segundo começou a criar apresentações, sites e aplicações de e-learning em Flash.
Atualmente, ele faz curso superior de publicidade e é um profissional Flash disputado: desde que foi trabalhar na Tribo, já recebeu cerca de dez propostas de empresas interessadas em contratá-lo. “Tem pouca gente especializada em relação à demanda do mercado, que cresceu bastante nos últimos anos”, diz Segundo.
PERFIS DIFERENTES
A grande demanda está na área de programação. “É aí que a coisa pega”, afirma Gian Zelada, sócio e diretor de produção da Mamute Mídia, empresa de desenvolvimento de conteúdo interativo. “Muitas vezes o candidato à vaga acha que domina a tecnologia, só porque criou algumas animações em Flash. Não é só isso, é preciso ter noções de lógica de programação e conhecer ActionScript.”
Marcelo Eira, sócio-diretor da Expansão Consultoria, faz uma distinção entre o programador Flash e o profissional que usa esse software para design e criação de efeitos visuais. “São perfis diferentes: um precisa conhecer programação, o outro tem uma formação mais artística”, diz. E é na programação que estão os melhores salários. Na Expansão, por exemplo, um programador Flash recebe, de início, 1 500 reais por mês. Já o designer que utiliza essa ferramenta começa ganhando 1 000 reais mensais.
META ANTECIPADA
A tecnologia Flash vem abrindo perspectivas para os profissionais que trabalham com criação multimídia e na produção de conteúdo para a web. A i2 Tecnologia, de Luciano Ayres, atingiu em oito meses a meta estabelecida em janeiro, quando se instalou na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do Estado de Pernambuco: fornecer aplicativos de entretenimento para celulares, principalmente para o mercado asiático. Seu primeiro jogo tem versões originais em inglês e em mandarim.
Mesmo com os produtos em fase de desenvolvimento, a i2 conseguiu receita próxima a 30 000 reais nos primeiros seis meses do ano. “Estamos conseguindo manter a empresa sem tirar dinheiro do bolso”, afirma Ayres. No segundo semestre, ele espera dobrar o faturamento.
Gabriel Cinquini também tem planos de ampliar a oferta de serviços da empresa de sua família — a produtora de apresentações e vídeos interativos Altamídia — com os conhecimentos de Flash que adquiriu em um curso feito no início do ano. O objetivo era aprender a colocar as aplicações de vídeo na web. Ao final do curso, ele desenvolveu o site da Altamídia. “Agora vamos começar a oferecer esse recurso aos clientes”, afirma.
Por onde começar: Nem sempre é preciso fazer um curso para aprender a lidar com Flash. Com boa vontade, dedicação e a ajuda do material didático disponível na própria web (basta uma busca via Google ou Yahoo!), é possível começar a criar animações e aplicativos em Flash. Quem quiser se aprofundar no assunto pode recorrer a um curso avançado — como o oferecido pela ENG, que também aplica as provas de certificação da Adobe para essa tecnologia. Para fazer a prova, não é necessário ter o curso. Basta a inscrição, que custa 100 dólares.