SÃO PAULO – A Justiça do Reino Unido deu ganho de causa a uma jornalista demitida por se referir a seu chefe de forma pejorativa em e-mails.
A produtora de TV Agnes Wilkie perdeu seu emprego na Scottish Television após seu chefe descobrir que ela o chamava de “aquela grande coisa gorda” (that big fat thing) em e-mails trocados com outros membros da equipe de reportagem.
O caso veio à tona quando uma mensagem foi encaminhada, por engano, para Robert Hain, chefe de Agnes. Ao perceber o erro, a jornalista afirma que foi à sala de Hain e desculpou-se pessoalmente.
O chefe considerou o caso grave e pediu que uma perícia fosse realizada no PC da jornalista. No programa de e-mails, foram encontradas mais mensagens em que além de gordo, Hain era chamado de "Bobby the silly", algo como Bobby, o bobo.
Após perder seu emprego, a jornalista recorreu à Justiça. No tribunal, alegou que o motivo da demissão era fútil e que usar apelidos para se referir aos chefes é um comportamento normal em muitas empresas. "Muitos de meus colegas se referem a Robert de forma bem pior", justificou a jornalista.
Agnes argumentou ainda que não tinha a intenção de ofender seu chefe e que as palavras “gordo” e “bobo” não são ofensas fortes o suficiente para justificar uma demissão.
A Justiça entendeu que a TV escocesa foi rigorosa demais com sua jornalista e determinou que a empresa pague uma multa adicional de 12,5% sobre as indenizações trabalhistas devidas a Agnes.
A Justiça disse que a multa não foi maior porque Agnes também errou ao se referir de forma pejorativa a seu chefe.
O presidente da união dos jornalistas na Escócia, Paul Holleran, afirmou que o caso deve servir de alerta para os funcionários de todo o Reino Unido. Holleran diz que é preciso tomar cuidado com o que se escreve em mensagens de e-mail.