CHICAGO, EUA - Cerca de quatro em cada dez adolescentes americanos já tiveram acesso a material pornográfico enquanto navegavam na internet.
Segundo estudo divulgado nesta segunda-feira, no entanto, dois terços deles afirmaram que entraram em contato com esse material de forma involuntária.
Grande parte do contato com a pornografia online, tanto os contatos intencionais quando os acidentais, tinham relação com programas de compartilhamento de arquivo, usados também para baixar imagens, afirmou o estudo da Universidade de New Hampshire em Durham.
"Apesar de haver indícios de que a maior parte dos jovens não ficam transtornados ao se depararem, na internet, com material pornográfico que não buscavam, esse fenômeno pode ter um impacto maior sobre os jovens do que no caso do material pornográfico buscado intencionalmente", afirmou o estudo.
"Alguns jovens podem estar psicológica e estruturalmente despreparados para essa exposição indesejada. E as imagens on-line podem ser mais explícitas e radicais do que as obtidas por meio de outras fontes", acrescentou.
O estudo, divulgado na edição de fevereiro da Pediatrics, uma revista da Academia Americana de Pediatria, baseou-se em entrevistas por telefone feitas com mais de 1.500 jovens norte-americanos, entre março e junho de 2005.
No total, 42 por cento deles disseram ter sido expostos à pornografia on-line nos 12 meses que antecediam o momento da entrevista. Desse grupo, 66 por cento disseram que não estavam atrás desse tipo de material ao se depararem com ele.
Esses encontros indesejados aconteceram, algumas vezes, devido a um erro no momento de digitar o endereço de uma página, devido a anúncios de pop-up e devido a emails spam.
O um terço restante que disse ter procurado por material pornográfico era composto, em sua maioria, por adolescentes do sexo masculino que usaram programas de compartilhamento de arquivos para baixar imagens, conversaram on-line sobre sexo com desconhecidos, usaram a internet na casa de amigos ou sofriam possivelmente de depressão.
Segundo os pesquisadores, a curiosidade sexual é normal entre os jovens "e muitos podem defender que a vista a sites de pornografia seria um comportamento adequado."
Mas alguns especialistas estão preocupados com a possibilidade de isso minar os valores sociais e de incentivar atitudes inadequadas na área sexual, levando a padrões de promiscuidade ou de comportamento bizarro.
Os médicos, os professores, os pais e outros adultos devem "partir do pressuposto de que a maior parte dos alunos e alunas do ensino médio que usam a internet expõem-se em alguma medida a material pornográfico", concluiu o estudo.