SÃO PAULO - 60 anos atrás, entrava em operação o ENIAC, primeiro computador a se tornar amplamente conhecido.
Se os computadores fossem animais, ele seria o tiranossauro rex. Com 18 mil válvulas termoiônicas, o ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer) pesava 28 toneladas, queimava 178 quilowatts de energia e ocupava uma área de 167 m² na universidade da Pennsylvania, nos EUA. Sua construção, liderada por J. Presper Eckert e John Mauchly, demorou quase três anos e custou meio milhão de dólares.
Hoje, é consenso que o ENIAC não foi o primeiro computador. Antes dele, houve o Z3 na Alemanha Nazista, o Colossus na Inglaterra e o ABC (Atanasoff-Berry Computer) na universidade estadual de Iowa, nos EUA. Mas o ABC era basicamente um experimento científico. Já o Z3 e o Colossus eram máquinas militares mantidas em segredo.
Com o ENIAC foi diferente. Durante a inauguração, em fevereiro de 1946, a imprensa americana foi chamada para testemunhar e divulgar o nascimento da grande máquina. Para tornar visível a atividade frenética que acontecia nela, seus construtores instalaram inúmeras lâmpadas num painel. Piscando continuamente, elas passavam, ao público leigo, a idéia de um monstro vivo. Foi a primeira imagem divulgada do invento que marcaria a história da humanidade nas décadas seguintes.
Na verdade, o ENIAC pouco tem em comum com os computadores atuais. Em vez da lógica binária, ele empregava números decimais. Incapaz de armazenar programas na memória, ele exigia que o "programador" conectasse um grande número de cabos para definir os códigos a ser executados. Além disso, ele não suportava instruções de desvio condicional, uma das bases da programação atual. Ainda assim, era a máquina analítica mais poderosa da sua época. Permaneceu em atividade por nove anos, realizando cálculos para fins militares.
Em 1955, um raio paralizou o monstro, já então obsoleto. Com isso, o ENIAC entrou para o rol das espécies extintas e para a história.