SÃO PAULO – A escolha do padrão de modulação da TV digital brasileira, que deveria ser anunciado pelo Governo Federal até esta sexta (10), acontecerá só em março.
Segundo o ministro das Comunicações, Hélio Costa, o relatório do CPqD (Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), necessário para a decisão, fica pronto apenas na semana que vem, impedindo o cumprimento desse prazo. Some-se a isso a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à África e a proximidade do Carnaval, e não haverá mais tempo para a escolha nesse mês.
A definição do formato de modulação é a mais aguardada do SBTVD. Existem três ofertas internacionais: o japonês (ISDB), o europeu (DVB) e o americano (ATSC), que montaram lobbies fortíssimos para serem escolhidos. Costa quer evitar mais atrasos, pois poderiam inviabilizar seus planos de realizar testes amplos durante a Copa do Mundo e liberar comercialmente a TV digital no país no dia 7 de setembro.
As emissoras, apoiadas por Costa, preferem o japonês, pela capacidade de transmissões a dispositivos portáteis e móveis. Além disso, permite que suas imagens sejam captadas diretamente de suas antenas, sem precisar passar pelas redes de telefonia celular.
As teles consideram isso uma invasão de seu mercado pelas emissoras e querem participar desse bolo bilionário. Para isso, apostam no padrão europeu.
Propostas
Nos últimos dias, um grupo de ministros, liderados por Costa, se reuniu separadamente com representantes dos três padrões, para auxiliar o presidente em sua escolha, com cada ministro defendendo seus pontos de vista. Nessa terça (7), o grupo esteve com os americanos, a última delegação a ser recebida.
Os americanos, assim como os japoneses já haviam feito, se comprometeram a financiar toda a infra-estrutra necessária para adotar seu formato no país. Também se comprometeram em liberar um financiamento de US$ 150 milhões para a indústria eletroeletrônica, e transferir tecnologia de receptores a fabricantes brasileiros.
Quanto a royalties, os americanos se comprometem a converter parte do que lhes seria devido em investimentos no Brasil, proposta semelhante à dos europeus. Os japoneses abrem mão de 100% dos direitos. Europeus e japoneses ofereceram financiamentos maiores que os americanos: respectivamente, de até US$ 400 milhões e de até US$ 300 milhões.
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