SÃO PAULO – O futuro do Freedows, distribuição nacional do Linux que mimetiza a interface do Windows XP, está sob risco por desentendimentos entre os parceiros da empreitada.
O principal problema é a perda do apoio do Banco do Brasil, que funcionaria como mola propulsora para o projeto ganhar escala, pois a instituição se comprometia a instalar largamente o sistema operacional em seus computadores.
O apoio do Banco do Brasil surgiu depois que a Cobra, braço tecnológico do banco, decidiu apoiar a iniciativa, tendo investido nela até agora R$ 2 milhões. A Cobra, que no ano passado teve prejuízo de R$ 20 milhões, também desembarcou do projeto.
Segundo reportagem publicada nessa segunda (6) no jornal Valor, o banco mudou de idéia depois que o Free Software, responsável pelo desenvolvimento do sistema operacional e do pacote de escritórios FreeOffice, anunciou que não abriria completamente o código do sistema operacional. Segundo a empresa, isso se justifica pelo fato que o Freedows incorpora componentes de software da companhia americana CodeWeavers. Usados para ampliar a compatibilidade entre o sistema nacional e o Windows, esses códigos proprietários impediriam a liberação ampla do Freedows, como prevê as licenças de software livre e como o Banco do Brasil gostaria.
A Free Software rejeita a explicação oficial pela perda de apoio, explicando que existem duas versões do seu sistema operacional, uma com os componentes da CodeWeavers e outra totalmente aberta.
A saída do Banco do Brasil e da Cobra do projeto deixa o Freedows em situação delicada. Além d o parque de equipamentos do banco que incorporaria seus produtos, a Free Software perdeu um excelente garoto-propaganda dentro do Governo Federal, que simpatiza com o software livre. A Cobra, por sua vez, representaria um papel importante na popularização do Freedows nas várias esferas da administração pública e empresas.
Apesar disso, a Free Software nega que o futuro de seu carro-chefe esteja em risco. A empresa afirma já ter comercializado 68 mil cópias do Freedows e que tem compromissos para entrega de outras 650 mil nos próximos cinco anos.
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