SÃO PAULO – A AOL Brasil publicou página em que informava que encerrará suas operações no dia 17 de março. Após sua divulgação pelo Plantão INFO na noite desta quarta (1º), a página foi retirada do ar. Ela ainda conclamava que seus usuários assinassem planos do Terra.
"A partir de 17 de março de 2006, não estarão disponíveis o acesso ao conteúdo do portal AOL Brasil nem os serviços oferecidos pela AOL Brasil", informava o comunicado. "Todos os seus arquivos gravados no disco virtual, no blog, ou no álbum de fotos da AOL serão apagados", concluía.
O único serviço que a AOL manterá após a data é seu e-mail, cujas contas permanecerão ativas até o dia 31 de julho, mas apenas para quem assinar o Terra.
O acordo entre os dois provedores foi firmado no dia 22 de dezembro e tornou-se público poucos dias depois, quando a AOL Latin America enviou à corte de falências nos EUA responsável pelo processo a proposta do concorrente para compra de sua base de assinantes. Pelo acordo, o Terra pagará entre US$ 760 mil e US$ 1,9 milhão à AOL Latin America, de acordo com a quantidade de assinantes da AOL Brasil que migrarem para seu serviço de acesso.
Morte anunciada
O fim da AOL Latin America, joint venture entre a AOL Inc., o venezuelano Grupo Cisneros e o Banco Itaú, ficou claro em março, quando a empresa publicou documentos na SEC dizendo que a operação não conseguia mais se manter, que suas ações ordinárias não tinham mais qualquer valor e que seus sócios não fariam mais nenhum aporte de capital. Diante da impossibilidade de se conseguir dinheiro novo no mercado, colocava seus ativos à venda.
As operações do Brasil e do México foram sendo paulatinamente desmontadas desde então. As demissões foram se acumulando nos dois países e o principal escritório da AOL Brasil foi fechado em julho, com os funcionários remanescentes sendo transferidos para a unidade em Santo André (Grande São Paulo).
Sem nenhum esforço de captação de novos assinantes há meses, a operação brasileira continua funcionando valendo-se de sua base fidelizada. Fontes internas dizem que ela é atualmente de 125 mil assinantes, todos pagantes.
No fim de novembro, a Justiça americana aprovou o fim das ações de marketing entre a AOL Latina America e o Itaú. O banco brasileiro desempenhava papel de destaque nos esforços de captação, não apenas em comunicações online e off line com seus clientes, mas também com quiosques e promotores em suas agências.
Fora do Brasil, em meados de outubro, a empresa de tecnologia portenha Datco comprou a AOL Argentina, por apenas US$ 1 milhão. A empresa negociou ainda a manutenção da marca AOL e de seus produtos no país. A parte de conteúdo ficou sob responsabilidade do jornal La Nación.
Em maio, a Nextel comprou o passivo da AOL México por US$ 14,1 milhões, mas a operação naquele país continuou sob responsabilidade da AOLA. A operação mexicana está prestes a ser vendida definitivamente para a AT&T, que mantém um pequeno provedor local e espera aumentar sua presença com a marca e com os produtos AOL, já que eles devem ser mantidos também, a exemplo do que aconteceu na Argentina.
O quarto país da AOL Latin America, Porto Rico, teve a operação absorvida pela própria AOL Inc.
Em junho passado, a AOLA entrou com pedido de concordata nos EUA. O pedido voluntário segue as normas do Capítulo 11 de falências da SEC e a companhia alegava não ter condições de saldar seus débitos. Seu maior credor é a Time Warner, com uma dívida de US$ 160 milhões.
Procurada pela reportagem do Plantão INFO, a AOL Brasil não respondeu aos telefonemas.
Acompanhe a evolução da crise:
Terra paga de US$ 760 mil a US$ 1,9 milhão por AOL BR (2/1/2006)
Terra compra base e AOL Brasil fecha em março (28/12/2005)
Justiça aprova fim de acordo entre AOL e Itaú (23/11/2005)
AOL Latin America pede falência nos EUA (24/6/2005)
AOL deixa prédio de SP e faz novas demissões( 3/6/2005)
AOLA vai tirar ações da Nasdaq (12/5/2005)
AOL do Brasil demite 80 funcionários (4/5/2005)
AOLA diz que suas ações serão retiradas da Nasdaq (13/4/2005)
AOL a um passo de encerrar atividades na AL (23/3/2005)