SÃO PAULO - Uma das maiores empresas de outsourcing do mundo, a indiana Satyam, é suspeita de uma fraude bilionária que coloca em risco contratos com gigantes como GM, Nestlé, Ford e Cisco.
A companhia indiana é a quarta maior empresa de outsourcing do mundo num ranking da Forbes, atrás apenas de Infosys, TCS e Wipro e tem entre seus clientes bancos de investimento, planos de saúde ou indústrias como General Eletric, GM e Ford, para quem presta serviços terceirizados de TI.
Esta semana, porém, o fundador e chairman da companhia, Ramalinga Raju, renunciou aos cargos que ocupava na Satyam, alvejado por um escândalo de fraudes e corrupção que projeta uma sombra sobre as autoridades regulatórias do país.
A Satyam apresentou, nos últimos meses, resultados espetaculares e só no último trimestre de 2008 teria acumulado US$ 1,04 bilhão em lucros para compartilhar com seus acionistas, já que desde 2001 a empresa tem capital aberto e seus papéis são negociados na bolsa de Nova York.
Carta admite erros
Numa carta de quatro páginas e meia, o Raju disse ao mercado que estes recursos simplesmente não existem, foram inventados para inflar os resultados da empresa e atrair novos investidores. O escândalo vai levar o chairman à Justiça e vários diretores da companhia, que pertencem à família de Raju, podem ser implicados legalmente, pois foram beneficiados com bônus e prêmios baseados no desempenho da Satyam.
Além de fraude nos balanços, a direção da empresa é suspeita de planejar a compra de duas construtoras indianas que têm como sócios principais executivos da própria Satyam. O negócio não atenderia aos interesses dos acionistas da empresa, mas apenas aos objetivos particulares de alguns diretores.
Com 53 mil funcionários espalhados por 66 países, a companhia era auditada pela Pricewaterhouse Coopers. Autoridades indianas e americanas vão investigar se a empresa teve ajuda de fiscais na Índia ou nos Estados Unidos para ocultar as fraudes financeiras.
Pelas leis indianas, os beneficiados pelo esquema podem ser presos e obrigados a ressarcir a companhia com seu patrimônio pessoal. O caso ainda será levado à Justiça mas já causa temor entre os clientes da corporação, que receiam enfrentar dificuldades em suas áreas de TI ou constrangimentos com a Justiça.
Desde maio de 2007, a Satyam possui uma representação no Brasil.