SÃO PAULO - O caixa da Telebrás, empresa esvaziada com a privatização do setor de telecomunicações no país, há 10 anos, ganhou um reforço de 200 milhões de dólares no final do ano, mas a empresa ainda não sabe onde vai usar os recursos.
Como explicou Jorge da Motta e Silva, presidente da Telebraás, em entrevista à Reuters nesta quarta-feira, "os recursos já foram alocados no caixa" da companhia, "mas a fonte (para explicar onde eles serão usados) é uma só, o Ministério das Comunicações".
A Telebrás, explicou o executivo, é a empresa que vai executar um possível projeto daquele que elabora as políticas públicas para o setor, que é o Ministério.
Através de um decreto assinado pelo Presidente da República no dia 23 de dezembro, a companhia foi autorizada a realizar um aumento de capital de até 200 milhões de reais.
Motta e Silva lembra que tal processo teve início um ano atrás. "Essa é a continuidade de uma medida administrativa que tinha de passar por uma série de etapas", explicou.
No final de 2007, o Ministério das Comunicações informou que pretendia utilizar a companhia para administrar uma rede de banda larga em projetos de inclusão digital.
Neste ano, entretanto, o Ministério, procurado pela Reuters, ainda não deu nenhuma informação sobre o destino dos recursos.
A União atualmente controla 76,46 por cento do capital votante da Telebrás, segundo Motta e Silva, mas deverá ampliar ainda mais seu controle sobre a companhia com a subscrição do aumento de capital.
De janeiro a setembro de 2008, a Telebrás acumula prejuízo líquido de 24,4 milhões de reais, sobre perdas de 16,87 milhões de reais no mesmo intervalo do ano anterior.
Quando anunciou a autorização para o aumento de capital, no dia 26 de dezembro, a companhia viu suas ações saltarem algo como 30 por cento na Bovespa, ainda que com pouca liquidez.