SÃO PAULO - Uma empresa brasileira de bioengenharia vai apresentar este mês, na USP, um modelo de tomógrafo que usa pulsos elétricos – ao invés de raio X – para gerar imagens de órgãos internos humanos.
O equipamento foi desenvolvido por pesquisadores da USP e pela Timpel, empresa privada que conduziu o projeto.
De acordo com o fabricante, a principal inovação do produto é a substituição do método clássico de tomografia por raio X (que gera imagens estáticas em única dimensão) por uma forma baseada em pulsos elétricos que, segundo o fabricante, permite visualizar imagens dos órgãos internos geradas em tempo real.
Diferentes métodos
No método tradicional, o tomógrafo tira raio X do órgão interno (pulmão, por exemplo) e permite aos médicos ver uma imagem estática daquele órgão. Já no novo método, chamado de impedância elétrica, vários sensores são colocados no peito do paciente e emitem pequenas correntes elétricas.
Ao analisar a maior ou menor dificuldade da corrente atravessar o corpo, o tomógrafo gera uma imagem digital. A principal vantagem deste método é que a fotografia é gerada em tempo real e dá um subsídio mais preciso à equipe médica.
Assim, é possível ver quadro a quadro onde o ar está se acumulando no pulmão de um paciente que recebe respiração mecânica (artificial) e, a partir daí, mudar a pressão, direção ou volume do ar injetado e observar, nas imagens, se as alterações surtiram o efeito desejado.
O método permite ver com precisão se há, por exemplo, acumulação de ar na pleura (membrana que reveste o pulmão) em diferentes momentos da respiração, algo mais difícil de perceber com o tomógrafo convencional.
Atualmente, dois equipamentos que usam a impedância elétrica estão sendo usado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e um terceiro é usado no InCor, também em São Paulo. O produto será lançado oficialmente no dia 18 de janeiro, na Faculdade de Medicina da USP.
Segundo o site da Timpel, este modelo é único no mundo e deve melhorar as chances de pacientes sob cuidados intensivos que precisam de respiração artificial.
Nos próximos dois anos, a USP vai avaliar os resultados de mortalidade dos pacientes que usam o tomógrafo por impedância elétrica e os que usam o mecanismo convencional. A expectativa dos fabricantes é que o estudo comprove a maior eficácia do novo tomógrafo em salvar vidas nas UTIs.