BRUXELAS - As restrições norte-americanas aos jogos de azar online podem ser contestadas pela União Européia, informou a principal autoridade de regulamentação financeira do bloco na terça-feira.
A legalidade dos jogos de azar online foi ambígua durante muitos anos nos Estados Unidos, mas em outubro do ano passado o presidente George W. Bush efetivamente os proibiu ao assinar uma lei que bloqueia as transações financeiras relacionadas a jogos de azar online.
Diversas empresas britânicas do ramo foram forçadas a deixar o mercado dos Estados Unidos como resultado da medida.
"Na minha opinião, isso é provavelmente uma prática restritiva, e talvez devamos contestá-la em outro foro", disse Charlie McCreevy, comissário de Mercado Interno da União Européia, em depoimento ao Parlamento Europeu.
Os Estados Unidos estavam protegendo as empresas locais de jogos de azar ao impedir que companhias estrangeiras ingressassem no mercado de apostas online, disse McCreevy.
"Não tenho intenção de propor legislação harmonizada para os jogos de azar na União Européia", acrescentou.
A pressão norte-americana sobre o setor continua.
O Departamento de Justiça dos EUA exigiu na semana passada informações de alguns dos maiores bancos de investimento do mundo, como parte de um inquérito sobre empresas de jogos de azar online, tais como a britânica PartyGaming .
A iniciativa é a mais recente medida na campanha norte-americana de repressão aos jogos de azar online, que começou com a detenção do escocês David Carruthers, presidente-executivo da BETonSPORTS, em julho, no Texas.
McCreevy disse a jornalistas, mais tarde, que as regras norte-americanas representavam caso exemplar de protecionismo, e que a Organização Mundial de Comércio era um foro possível para resolver a questão.
No entanto, devido às prolongadas negociações necessárias para garantir um novo acordo mundial de comércio, ele não vai se apressar a apresentar uma queixa.
"Não se trata de algo muito importante," disse McCreevy.