SÃO PAULO – Discussões entre os ministros das Comunicações, da Casa Civil e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior podem comprometer o cronograma do SBTVD (Sistema Brasileiro de TV Digital).
O governo federal tem até o dia 10 de fevereiro para anunciar qual o padrão adotará para a TV digital brasileira. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, quer que o anúncio nesse dia traga o máximo possível de informações, para que as transmissões comerciais comecem no dia 7 de setembro, como acordado entre as emissoras e o governo.
A informação mais aguardada é a escolha do padrão de modulação. Existem três ofertas internacionais: o japonês(ISDB), o europeu (DVB) e o americano (ATSC), que montaram lobbies fortíssimos para serem escolhidos para o SBTVD. As emissoras preferem o japonês, pois é o único já pronto para transmissões a dispositivos portáteis (como receptores em carros) e móveis (como celulares). Além disso, ele permite que suas imagens sejam captadas pelos receptores móveis diretamente de suas antenas, sem precisar passar pelas redes de telefonia celular. As teles consideram isso uma invasão de seu mercado pelas emissoras.
O padrão europeu se preocupa mais em transmitir até quatro canais em uma mesma freqüência, útil para muitas emissoras concorrendo por poucas freqüências. Já o americano, de alta definição, não tem abordagem para transmissão móvel ou portátil. Os três padrões oferecem interatividade entre espectador e programação.
Os desentendimentos entre Costa, tido pelo mercado como favorável ao modelo japonês, Dilma Rousseff (Casa Civil) e Luiz Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) começam justamente aí. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo afirma que Furlan não quer seguir adiante com as definições sem que a política industrial esteja definida. Ele considera o padrão japonês justamente o menos interessante, pois é o menor mercado dos três padrões existentes. Já Rousseff quer escolher primeiro o modelo de negócios. A Casa Civil já declarou apoio ao sistema europeu, que considera mais "democrático", pois permitiria espaço para canais comunitários.
Nesta semana, a Câmara dos Deputados anunciou que entrará nas discussões sobre TV digital. A decisão caiu como uma luva para o governo, pois o tempo necessário aos parlamentares para entendimento do assunto deve ser usado como desculpa para o desrespeito à data de fevereiro.
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