SÃO PAULO – As emissoras de televisão enviaram ao governo nesta quarta (18) um comunicado onde se posicionam favoráveis à escolha do padrão japonês para a TV digital no Brasil.
O documento, com análises técnicas do modelo, foi encaminhado à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Três padrões internacionais montaram pesados lobbies para serem escolhidos como modelo para a televisão digital brasileira, que vai ao ar ainda nesse ano. Além do japonês (ISDB), há também o europeu (DVB) e o americano (ATSC).
As emissoras de televisão preferem o japonês por motivos técnicos e de mercado. Além de oferecer imagem de alta definição, ele é o único dos três que já está pronto para transmissões para dispositivos portáteis (como receptores em carros) e móveis (como celulares). Além disso, ele aceita que os receptores estejam em movimento. Esses aliás são pré-requisitos definidos pelo governo para o modelo brasileiro.
Do ponto de vista de mercado, o padrão japonês agrada as emissoras de TV porque permite que suas imagens sejam captadas, diretamente de suas antenas, pelos receptores móveis. Isso daria uma enorme vantagem comercial para essas empresas, pois não precisariam passar sua programação pelas redes das companhias de telefonia celular, o que lhes garantiria independência para distribuição de seu produto. As teles, por sua vez, consideram isso uma invasão de seu mercado pelas emissoras.
O padrão europeu não interessa tanto às emissoras, pois se preocupa mais em transmitir até quatro canais em uma mesma freqüência, útil para um continente com profusão de países pequenos (e, portanto, de emissoras concorrendo pelas poucas freqüências disponíveis). Já o americano, de alta definição, não tem abordagem para transmissão móvel ou portátil, pois, ao contrário do Brasil, a distribuição de sinal de televisão nos EUA é feita majoritariamente por cabos. Os três padrões oferecem interatividade entre espectador e programação.
Na terça, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, participou de uma reunião com equipe do o CPqD (Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento), que, baseado nos estudos realizados pelas universidades que estão desenvolvendo o Sistema Brasileiro de Televisão Digital, desaconselhou a adoção do sistema americano. Apesar de isso ter sido interpretado pelo mercado como uma pá de cal no padrão dos EUA na disputa, Costa afirma que o governo ainda não descartou nenhum dos padrões, e que todos eles ainda têm tempo para resolver pendências que tenham (como a falta de portabilidade e mobilidade pelo padrão americano).
Apesar disso, o ministro já deu declarações favoráveis ao padrão japonês, dizendo que é o único que atende a todas as exigências e que abriu mão dos royalties. O ministro, que já foi jornalista da TV Globo, é visto pelo mercado como aliado das emissoras, mas enfrentaria resistência da ministra-chefa da casa civil.
Estima-se que a TV digital deve movimentar US$ 100 bilhões no Brasil. Por isso, as emissoras querem que o governo transforme os aparelhos celulares em pequenos receptores de TV sem que o usuário pague a mais por isso. As operadoras de telefonia celular, por sua vez, combatem essa idéia, pois querem aproveitar a novidade para aumentar suas receitas derivadas de investimentos de US$ 1 bilhão por ano.
O governo tem até o dia 10 de fevereiro para anunciar qual o padrão adotará para a TV digital brasileira.
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